segunda-feira, 8 de março de 2010

Comunicação, música e liturgia

Por Danilo Marinho



A história da música nos prova que desde seus primórdios esteve presente na sociedade, sobretudo na sociedade cristã. Dos tambores africanos aos cantos gregorianos, a música é um meio, ou melhor, um veículo de comunicação.

Sob essa perspectiva ela, por si só, é uma ação de comunicação. Apesar de essa afirmativa  parecer comum, acredito que também devamos lançar luz sobre a complexidade do conteúdo, não apenas como produto comerciável de manifestações culturais de diferentes sociedades.

Em nossa sociedade (brasileira), como em tantas outras, a música tem em sua atividade-fim o entretenimento. Mas, em uma sociedade e um país tão musical (tropical) como o Brasil, é necessário que se vá mais além do que os veículos de comunicação convencionais nos ofertam.

“... A de amor, B de baixinho, C de coração, D de dedinho..., ou ainda, “...seu miguinho, seu vizinho, pai de todos, fura bolo e mata piolho, onde estão, eles se saúdam e se vão...” Quem se lembra dessas músicas? Elas seguramente fizeram parte dos processos de alfabetização de várias crianças da minha e da sua geração.

Do outro lado do oceano, no continente africano, os processos comunicativo/educativo, se desenvolvem de outra maneira. Quando Filomeno Lopes nasceu em uma das pequenas tribos da Guiné-Bissau, tambores rufaram na comunidade para anunciar que uma nova vida surgia. E ainda, quando sua mãe confirmou a gravidez, toda comunidade produziu música (som) para celebrar a boa nova. Na Europa, a gaita de fole quando tocada, representa auditivamente a morte de alguém. E assim se estabelece os processos comunicativos em determinadas sociedades.

No Mutirão de Comunicação América Latina e Caribe realizado no último dia 03 e 07 de fevereiro na PUCRS, em que se trataram, entre outras questões, os processos de comunicação e cultura solidária, a temática ficou muito na esfera teórica, deliberativa e nada propositiva. E, segundo Filomeno, a igreja trata a música como algo cartesianamente programável. Doutor em filosofia e representante da rádio Vaticano, Filomeno, debateu, dentro da oficina Comunicação e Música numa perspectiva conciliatória dentro de uma cultura solidária ministrada por mim, Danilo Marinho e Bruno Rufino, a importância da música para a sociedade contemporânea.

Uma das questões debatidas na oficina foi a música como produto cartesianamente programável, sem possibilidade de mudança ou transformação. Isso nos levou a refletir: De que música estamos falando? Como podemos utilizar a música no ambiente de trabalho.

Se a música faz parte da construção dos processos de comunicação na condição de veículo ou até mesmo meio de comunicação, que tal se olharmos a música como parte integrante como sujeito mediador de relacionamentos? Fica aí a sugestão!

5 comentários:

LIVIA disse...

Muito bom texto, Dann.
Ótima abordagem sobre música. Interessante como existem músicas tão diferentes com os mesmos objetivos: comunicar e entreter; mas cada sonoridade é única, é cultural.

Tive a oportunidade de estudar sobre música uns semestres atrás. É incrível como a música se desenrola em nossa mente e fixa. Isso quando a música, o spot, a trilha são MUITO bem feitos e entrega muito mais do que simples melodias.

Se deixar sigo falando sobre ela.

;)
Beijos.

Fernanda Fabian disse...

Oi Danilo,

uma ótima sacada a sua de abordar a música e a comunicação, acho até que esse é um tema que daria muitos e muitos posts...
acho que a música se confunde sim, de certa forma, com o processo de comunicação que a humanidade adotou ao longo dos anos, e falo isso até imaginando na época dos homens das cavernas, que gritavam (de certa forma musical) para, por exemplo, alertar de algum animal que estava por perto...
E bem tratado por você a questão da alfabetização, eu sou dessa geração que vc falou! E acho que minha "dependencia" de música deve vir dessas épocas aí...
Enfim, acho que é um bom caminho a trilhar. Parabéns pelo post!

F.P disse...

Música é comunicação! E através dessa premissa, pode-se caminhar por várias notas musicais e sentidos... e como foi citado no texto, é necessário caminhar por toda a complexidade que envolve a musica e seu contexto..

ótimo texto, nunca tinha pensando nem lido algo do tipo..

Abraço

Jéssica disse...

Olá, Danilo!!!
Sensacional o tema!!! =D
A música é muito importante para qualquer comunicação.
Sem uma boa trilha, acredito que a pessoa não tem uma imersão por completa na campanha.

Clube do RP de Pernambuco disse...

Oi Fernada, F.P, Jéssica

Mais do que tudo isso, a música, ou os alguns elementos sonoros fazem parte da linguagem de algumas comunidades, como na África, por exemplo, algumas onomatopéias são consideradas parte integrante do dicionário e da linguagem escrita daquele povo. Não tenho dúvidas de que a música é processo, é meio e é veículo de comunicação, basta apenas darmos o merecido reconhecimento e outro tratamento pedagógico-comunicacional a ela.

Grande Abraço.

Danilo