terça-feira, 23 de março de 2010

A mitologia e o mundo corporativo

Por Marcia Ceschini

A mitologia grega personificou Teseu como o grande herói que derrotou o Minotauro. O Minotauro para quem não sabe um ser metade homem, metade touro, era o guardião do famoso labirinto do Rei Minos, e Teseu, foi um entre vários guerreiros que tentaram destruí-lo.

Teseu, sem dúvida foi o grande e único herói. Mas, na verdade, contou com a estrategista Ariadne, filha do Rei Minos, que deu ao guerreiro um rolo de barbante e, disse que ele deveria desenrolá-lo desde a entrada no labirinto para auxiliar sua saída. Tendo ouvido os sábios conselhos da princesa, Teseu matou o Minotauro, saiu do labirinto e de quebra, casou-se com Ariadne.

Traçando um parâmetro entre a mitologia grega e o mundo corporativo, quantos "guerreiros" empresas, profissionais, colaboradores, etc tiveram e têm que "morrer", até que dêem ouvido a sua "estrategista"? No mundo corporativo não basta ter só a "força" produtos, serviços e mão- de- obra é preciso ter uma estratégia para direcioná-lo ao alcance de seus objetivos mercadológicos.

E qual é essa estratégia? Uma eficiente e eficaz política de comunicação. Primeiro, é importante que o emissor fale uma linguagem que o receptor entenda, e segundo, que ele acredite e confie no emissor, para poder vislumbrar e atingir a saída do labirinto.

Empresários, comerciantes, profissionais, funcionários. A comunicação com seus receptores é a maior das aliadas do mundo corporativo. Por incrível que possa parecer, o primeiro público a quem vocês devem desenvolver uma boa comunicação, é o seu público mais próximo, o público interno: diretores, acionistas, funcionários. É esse público que atua e participa do dia-a-dia de sua empresa, logo você tem um formador de opinião em potencial bem ao seu lado.

Ouvir o que esse público tem a falar, antecipar-se às informações, aos boatos, especulações - que normalmente acabam por arranhar a imagem institucional da empresa-, é obrigação do mundo corporativo. Ainda mais hoje em dia, em tempos de sociedade em rede, que ser bem ou mal falado toma uma proporção gigantesca e atinge um número incalculável de pessoas.

Ao mesmo tempo, deve-se alinhavar e desenvolver, uma comunicação com o outro público, o externo: mídia, fornecedores, parceiros, consumidores/clientes e a comunidade onde está inserido, com linguagem própria para eles, mas com o mesmo contéudo e objetivo de informação corporativa.

Entendam por comunicação, não só propaganda e marketing, mas a comunicação não verbal que sua empresa utiliza com o público, a forma com que relaciona-se com ele. A empresa pode ter um design moderníssimo na sua fachada, equipamentos caríssimos, mas um pessoal mal-treinado e insatisfeito que atende muito mal ao seu cliente/consumidor. Você mesmo que está lendo esse artigo, aposto que alguma vez na vida, já foi maltratado ou mal atendido em lojas, empresas ou prestadores de serviços.

Não basta ter uma embalagem bonita, seu produto/serviço tem que ser bom, ter credibilidade e estar presente na mente do cliente, quando ele manifestar interesse de compra.

Principalmente, sua empresa deve ter o famoso "jogo de cintura" e muito interesse em relacionamento para administrar crises de relacionamento com esses públicos.

Apesar de muita evolução esse ainda é caso de algumas empresas. A responsabilidade de tornar-se um boato ou mito no mundo corporativo está somente nas estratégias e ações.

Empresas devem pensar mil vezes antes de menosprezar seu público. Embora não pareça para algumas, é a empresa que precisa dele.

Esteja atento aos "labirintos" e "minotauros" de sua corporação. Isso inclui também você, colaborador interno e externo, que não faz sua parte no desenrolar do "barbante".

7 comentários:

Simbiose Brasil disse...

Percebe-se que uma comunicação eficaz interna, um entendendo a língua do outro, é importantíssimo.

Ótimo texto.

Vívian disse...

Temos que estar dispostos a ouvir o "estrategista" e correr os riscos disso. Afinal, sem riscos não há progresso, não é verdade?
Muito bom o texto!

Beijos da
@vihfreitas

Marcia Ceschini disse...

Pessoal, vcs foram na mosca: boa comunicação e bom senso nas estratégicas. Com essa dupla não tem como não acertar o planejamento de comunicação.
Obrigada pelos comentários.
Abraços

Jéssica disse...

Marciaaa... adorei a comparação com a mitologia grega!! Você é sensacionaaal!! =D

O mito do minotauro é perfeito para as corporações.
Ninguém pode fazer tudo sozinho, é preciso saber ouvir e ver o que acontece ao seu redor.
Não adianta se fechar em 4 paredes, pois você nunca sairá do labirinto.

Beijoss, Jé

Adriano disse...

Ótimo texto, Marcia, adorei a ilustração mitológica!

Quero destacar algo dentro do sucesso estratégico de Teseu. Diante dos fracassos anteriores na luta contra o Minotauro, Ariadne antecipou-se ao problema criando uma prática que pouco estrategista adota: o plano B. Certa do possível sucesso na luta contra o Minotauro, Ariadne sabia que outro problema poderia surgir: como sair do labirinto depois da luta. Daí criou o plano B antes mesmo de iniciar a ação através do esquema de fuga com o rolo de barbante.

Nessa parábola, quero lembrar que muitos departamentos de marketing, por não comunicar-se com o de produção e o comercial, erram por não se prepararem adequadamente para os possíveis resultados após uma campanha. Conheço uma indústria de tintas que gastou uma fortuna patrocinando o merchandising de um reality show de grande audiência com o público qualificado, mas que só conseguia atender as revendas de poucos estados no Brasil. No Paraná por exemplo, não havia a marca dessa tinta para a compra... Pense no mau uso do capital dessa grande empresa, no desperdício de mídia e na falta de foco da campanha. A explicação que recebi dos vendedores de tintas das lojas era sempre a mesma, "é uma marca pequena, nova no mercado, não é confiável ainda, nem atendem em nosso estado". Cadê o plano B, a estratégia compercial e de marketing dessa indústria? Fixaram a marca, mas esqueceram de distribuir o produto...

Forte abraço,
Adriano Berger

Ana Paula disse...

O texto é realmente bom, mas como todo texto que fala de comunicação corporativa, não reflete sobre a ética empresarial. A estratégia tem que estar apoiada na ética. O discurso bonito, estratégico, educado torna-se vazio se, antes de tudo, a empresa não é ética. Vejo, a todo momento, profissionais de comunicação vendendo discursos empresariais maravilhosos de corporações que são sujas, mas que têm dinheiro pra construir (ou pelo menos tentar) uma imagem positiva. Fica a dica para uma próxima reflexão.

Marcia Ceschini disse...

oi pessoal, o post continua rendendo. Que bom.
Jé e Adriano, vcs foram bem no centro da questão: trabalho em equipe, cooperação. Empresas que buscam esse tipo de ambiente corporativo só tem a ganhar no resultado mercadológico. Temos que perder o espírito competitivo e entender que uma área depende da outra para o sucesso coletivo.

Ana Paula, realmente, ética deve estar envolvida em tudo. Mas eu creio que ética profissional não dá p separar de ética pessoal e berço. Sendo assim, bons profissionais com bons princípios não se sujeitam a fazer trabalhos que não estejam de acordo com sua noção de ética. Eu até agora tive a sorte de trabalhar em empresas que prezam isso ou não toparia. Sim, a escolha tbm é nossa. Nós escolhemos trabalhar na empresa. Dinheiro algum compra minha dignidade e minhas crenças.
Felizmente estamos em um momento em que bons profissionais não posam de "Pollyana".E outra, lidamos com gerenciamento de crise e bons profissionais lidam com ações próativas e descobrem os esqueletos no armário antes. Boa questão.

abraços a todos