quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Relações Públicas em Portugal

Por Bruno Amaral, Relações Públicas em Lisboa/Portugual

Foi criada uma seção aqui no A Bordo chamada 'Relações Públicas no Brasil' com o propósito de mostrar como a profissão é valorizada no país, porém hoje resolvemos fazer diferente. A abordagem será sobre 'Relações Públicas Internacional'. Esperamos que gostem da 'edição especial' escrita por Bruno Amaral que é profissional de Relações Públicas, ele estuda e pratica no campo desde 2005, não apenas focado na criação de estratégias que funcionam, mas também para entender o porquê das estratégias de trabalho. Olhando sempre para fornecer informações e orientações sobre quais ferramentas utilizar, para que fins e com que mensagens. É mediador dos blogs Strategy and Public Relations e Relações Públicas.


Falar de relações públicas em Portugal é falar de uma profissão que ainda não está devidamente representada por uma Associação Profissional. Por essa razão, ainda existe alguma confusão sobre o que é ser relações-públicas.
E se por um lado a falta de legislação facilita a entrada na profissão, pelo outro dilui a presença de profissionais com a formação adequada e que seguem os códigos de ética e deontologia com a determinação devida.
No entanto este panorama tem vindo a mudar aos poucos. Com o salto para a Web e o aparecimento de blogs, os profissionais têm vindo a aumentar o debate sobre a profissão, sobre o que constitui o dia a dia de um relações-públicas, quer se trate de public affairs, comunicação online, assessoria de imprensa, comunicação de interesse público ou qualquer outra área da profissão.
Ao observar os blogs de comunicação, facilmente notamos que o diálogo em torno da profissão surge mais entre os profissionais de agências do que entre profissionais de gabinetes de comunicação, devidamente enquadrados nas estruturas da organização. Aqui surge um perigo, que se comece a pensar que se trata de uma disciplina à qual só pode recorrer quem tem os recursos para contratar uma agência de comunicação. Não é o caso.
Pelos contactos que tenho feito no decorrer do mestrado de gestão estratégica e relações públicas da ESCS, notei que existem excelentes profissionais que sempre trabalharam em departamentos de comunicação. Infelizmente o seu trabalho nem sempre tem o reconhecimento que merece dentro e fora da organização.
No lado dos estudantes, a entrada no mercado de trabalho também não se trata de algo propriamente fácil. Se por um lado os gabinetes de comunicação estão num periodo de evolução relativamente estável, pelo outro isso significa que têm menos necessidade de empregar em recém-licenciados. Resta por isso recorrer às agências, onde a entrada está condicionada à realização de um estágio.
As condições para a realização de um estágio nem sempre são as melhores. A grande maioria das agências não oferece estágios remunerados, cobrindo apenas os custos de deslocação e esperando que sejam feitas horas extraordinárias.
Existem no entanto agências que fogem a esta regra, é preciso mencionar isto. Infelizmente estes bons exemplos são pouco conhecidos. No meu caso, o estágio que realizei com a Ogilvy Public Relations em Lisboa foi remunerado. Tive sorte, porque de facto a maioria das agências opta pelo caminho mais fácil e inegavelmente mais rentável.
Mas o trabalho das agências é também a face mais visivel da profissão em portugal. Quer seja porque os seus profissionais recorrem a blogs para estimular o dialogo e fazer ouvir a mais valia da disciplina, quer seja porque são elas que mais interagem com as publicações do meio (Jornal Briefing e a revista Meios e Publicidade).
A excepção a esta regra surge por parte de algumas empresas de maior dimensão, como a EDP ou a Caixa Geral de Depósitos, que mesmo assim não são representativas, são apenas a face mais visível do trabalho em gabinetes de comunicação.
Ultimamente, o trabalho de relações públicas em Portugal tem estado a “acordar” para a realidade da comunicação digital. Foi essa razão que levou à organização da primeira conferência Upload Lisboa, no passado sábado.
Nesta conferência tornou-se claro que é necessário um debate ainda maior sobre o impacto dos instrumentos de social media na nossa forma de comunicar. Mais do que saber escolher os instrumento adequados, é necessário criar uma base comum de conceitos e de concepção de estratégias, de ética e de deontologia.
Só desta forma é que podemos esperar que as agências e os departamentos de relações públicas sejam capazes de criar locais de diálogo online, destinado a encontrar pontos de entendimento e a cumprir objectivos concretos (quer de comunicação ou de negócio).

10 comentários:

Ocappuccino.com disse...

Pelo texto percebi semelhanças entre Brasil e Portugal referente às RRPP. Me engano?

MATEUS

Marcia Ceschini disse...

Pelo texto percebi semelhanças entre Brasil e Portugal referente às RRPP. Me engano? [2]

O lado bom é que como aqui no Brasil, o profissional tem usado as mídias sociais para atuar e dar mais visibilidade à profissão.

E claro que a Ogilvy PR teria uma postura dessas, estágio remunerado.

Legal o post.
beijos

Anônimo disse...

Gente

sou brasileira e colega do Bruno no mestrado em Lisboa. Tenho a dizer, desde que voltei para o Brasil, e quando comecei a trabalhar de forma autônoma, como estrategista de empresas, que o movimento de valorização do profissional no Brasil é enorme.
às vezes o melhor não é procurar o emprego, é criar o seu!
Vamos aproveitar a onda, galera!

Fabio Procópio disse...

Bem interessante o texto, no meu blog também tem um depoimento de uma colega de sala que atualmente está em intercâmbio de graduação em Portugal, na Universidade do Minho. Ela demonstra no texto, a visão de dentro da sala de aula na graduação portuguesa, onde somos citados até como exemplo em se tratando de comunicação.

Abraço

Fabio Procópio disse...

Bem interessante o texto, no meu blog também tem um depoimento de uma colega de sala que atualmente está em intercâmbio de graduação em Portugal, na Universidade do Minho. Ela demonstra no texto, a visão de dentro da sala de aula na graduação portuguesa, onde somos citados até como exemplo em se tratando de comunicação.

Abraço

Fabio Procópio disse...

Bem interessante o texto, no meu blog também tem um depoimento de uma colega de sala que atualmente está em intercâmbio de graduação em Portugal, na Universidade do Minho. Ela demonstra no texto, a visão de dentro da sala de aula na graduação portuguesa, onde somos citados até como exemplo em se tratando de comunicação.

Abraço

Anamaria disse...

Bruno,
Parabéns pelo trabalho e contribuição ao desenvolvimento cultural da profissão em Portugal. Entendo perfeitamente que uma associação de classe é ultra importante. Quem sabe você será o pioneiro! Independente de qualquer coisa, a web 2.0 já está dando uma grande força.

A saudosa Lisboa e brasileiros residentes,um sincero abraço.

danipedace disse...

Muito legal mesmo este post...acho super importante sabermos o que se passa em nossa profissão fora do Brasil...

Acho que o lugar que é mais valorizado ainda é os EUA, mesmo que nas pós graduações.

Abraço
Daniele A Bordo.

Guilherme Freitas disse...

Muito interessante saber um pouco mais sobre o RP em Portugal, que é um país bem menor que o nosso. Acredito que essa área vai crescer no decorrer dos anos por lá. Abraços.

Cibele Silva disse...

Mateus e Marcia, eu não tenho muita propriedade para falar da profissão em Portugal, mas sinto, conversando com o Bruno, que são bem parecidas sim, mas em Portugal um pouco menos valorizada.
Como a Marta (amiga do Bruno) disse ali em cima, lá é melhor trabalhar de maneira autônoma, pois as empresas não dão muito valor. Ela tentou a estratégia aqui no Brasil e tbm est´adando certo.

Eu estou adorano saber mais sobre RP não somente no Brasil, mas fora dele.


Abraços,
Belle