domingo, 1 de novembro de 2009

Você acredita em responsabilidade social?

Por Danilo Marinho

Você acredita em responsabilidade social? É o que muitas pessoas têm me levado a refletir. A responsabilidade é tão contraditória que no início do século XX, alguns teóricos já elencavam argumentos contra e a favor do seu conceito.

Entretanto, alguns argumentos afirmam que, se inserida num contexto capitalista, a RSE, deve estar pautada na mensuração do desempenho no mercado, e os programas de ação social, muitas vezes não tem como medir os índices de sucesso. Portanto, a função da organização seria maximizar lucros. Assim, destinar recursos voltados para programas de ação social seria um desperdício e violaria a política de metas da empresa. Ou ainda, os custos com esses investimentos em ações sociais teriam que ser equalizados, repassando o ônus para os consumidores na forma de aumento no valor de produtos ou serviços.

Foi o que relatou a historiadora Vanessa Adriano: “Semana passada fui em uma empresa que achava que responsabilidade social era alguma coisa fútil, um supérfluo que só esvaziava o caixa da empresa. Não sabe ela que, adotando essa política, ela pode alavancar seus negócios de maneira a multiplicar os seus lucros...”.

Em contrapartida, outros argumentos afirmam que a responsabilidade social nas empresas deve andar lado a lado com o poder social. Isto é, uma vez que as empresas se constituem como elementos fundamentais para o desenvolvimento da economia contemporânea, tem por obrigação assumir a responsabilidade correspondente. Como disse Yacoff Sarkovas: "Uma marca não se sustenta mais só com publicidade. Hoje não basta mais falar, é preciso agir".

Ainda ouço nos corredores da faculdade muita discussão em volta do tema. Alguns contra, outros a favor como os da Assessora de Comunicação Ana Karla,: “Acredito na Responsabilidade Social quando existe um compromisso sério em auxiliar o desenvolvimento da comunidade onde existe intervenção das instituições. O ato apenas de doar, ou mesmo fazer grandes campanhas institucionais sem um sentido amplo, são ações banais e que não mudam a realidade da comunidade. Responsabilidade Social eficaz, se faz com atividades integradas, que auxiliem no crescimento social. O texto é bem interessante. Gostei bastante!

Sugiro um tema relacionado a importância da Relações Públicas nas Relações Sociais entre instituições e comunidade.

É muito fácil praticar a responsabilidade social quando, através das ações, se deduz alguns percentuais do imposto de renda. Isso me deixa muito encabulado. Uma coisa é certa: A postura, tanto das organizações, quanto da comunidade já começou a mudar, quando se fala de responsabilidade social e isso é bastante positivo.

Nesse caso, não quero propor soluções, mas sim fomentar a discussão acerca da construção do conhecimento coletivo, a partir de uma perspectiva social, em que não haja sujeito, portanto uma pluralidade de pensamentos e idéias que fortaleçam os laços que sustentam os conceitos da responsabilidade social nas empresas e na comunidade.

5 comentários:

LIVIA disse...

Texto muito bom, Danilo.

A Responsabilidade Social realmente ainda não é uma realidade nas organizações, e quando realizam é para manter uma "imagem".

Esperamos que essa responsabilidade seja uma ordem, um objetivo organizacional.

Abraços,

Lívia Brito.

Clube do RP de Pernambuco disse...

Oi Lívia,

E mais do que isso, a responsabilidade social deveria, ao menos penso, uma crença que mova as pessoas a praticarem a igualdade, exercendo a democracia.

Grande beijo!

Danilo

Cibele Silva disse...

Não sei se repararam, mas eu nunca falei de responsabilidade social aqui, eu não sou muito a favor.

O americanos inventaram um slogan: "Small is beautiful". O pequeno é belo. Nós bebemos coca-cola e jogamos no cesto para reciclagem. Juntamos o jornal e o papel de embalagem, depositamos no lugar adequado e saimos com a consciência traquila, pois fizemos a nossa parte. Não interessa se o consumo de energia e água para a reciclagem exigirão grandes impactos ambientais. O que interessa é a sensação de que se pode consumir sem degradar a natureza. E nada de questionamento a padrões insanos de consumo.

As empresas aproveitam o Small is beautifull como estratégia de marketing, claro que é muito benéfico para a sociedade em algumas casos, mas vale a pena ver os dois lados da moeda . A Petrobrás detona o mar, polui mangues e libera CO² de suas refinarias vendendo petróleo e derivados com altos lucros. Destina uma verbinha para o Projeto Tamar que protege as tartarugas marinhas. Você pega seu carro, queima combustível, polui as praias e quando chega no litoral brasileiro é induzido a crer na magia: é possivel uma empresa petrolífera salvar o planeta. Sim, eu vi... A Petrobrás ajuda as tartaruguinhas...

O Bradesco gera toneladas de lixo em suas agências. É acionista da Vale do Rio Doce e financia alguns projetos do SOS Mata Atlântica. Nada que possa conter os desequilíbrios ambientais. Mas tudo para que a imagem da empresa esteja associada a causas nobres.

A idéia de que as ações pequenas surtem grandes efeitos é muito bonita e convence por sua lógica. Mas é perigosa à medida em que passamos a crer que se o mundo está mal, é por que não há colaboração. Pois se cada um fizesse sua parte...

Bom, acho melhor parar por aqui. rs
Muito bacana o seu posicionamento Danilo, deixa realmente para a reflexão.

Parabéns pelo post.

Abraços,
Belle
(A Bordo)

Daniele Pedace disse...

Nossa Bele, isso que escreveu é quase um post...rs...

Concordo em partes com você Bele, mas depende, acho que tem empresas que realmente tem essa consciencia, mesmo não sendo a maioria, acho que existe...

Abraço
Daniele A Bordo.

Cibele Silva disse...

Dani, talvez não tenha deixado claro, mas tenho a mesma opinião que vc. Teve um post aqui no A Bordo que eu escrevi sobre a empresa Souza Cruz, no post eu citei o instituto Souza Cruz, lembro que alguém comentou algo do tipo, e daí que a Souza tem um instituto ela mata X por ano.
E eu e mais um menino falamos o qto é importante estas empresas ajudarem e terem a sua parte na responsabilidade social e sustentablidade. Outro caso é a GE, eu assisti uma palestra no comitê de sustentabilidade da Aberje, para mim não resta dúvida que a GE é uma destas empresas consciente.
O problema é que a maioria não é e nós temos que saber ver os pontos negativos e os positivos.

Abraços,
Belle
(A Bordo)